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Cancro

Não, a biópsia ou a cirurgia ao cancro não fazem com que o tumor se espalhe pelo corpo

As biópsias e cirurgias ao cancro são procedimentos que levantam questões junto dos pacientes. Há quem acredite que a exposição do tumor ao ar durante a cirurgia pode levar a uma propagação do cancro, e existe também quem defenda que as biópsias são responsáveis pela expansão do tumor a outros órgãos. Será verdade?

8 Nov 2021 - 03:00

Cancro

Não, a biópsia ou a cirurgia ao cancro não fazem com que o tumor se espalhe pelo corpo

As biópsias e cirurgias ao cancro são procedimentos que levantam questões junto dos pacientes. Há quem acredite que a exposição do tumor ao ar durante a cirurgia pode levar a uma propagação do cancro, e existe também quem defenda que as biópsias são responsáveis pela expansão do tumor a outros órgãos. Será verdade?

A biopsia é um procedimento importante para analisar e identificar a presença de células cancerígenas no organismo. Já a cirurgia é uma das formas de tratamento do cancro – assim como, por exemplo, a quimioterapia, a terapia hormonal, a radioterapia, entre outros. Mas será que estes dois procedimentos estão na origem da propagação do cancro a outros órgãos?

Na verdade, trata-se de um mito – aliás, de dois. Comecemos pelas cirurgias: há quem acredite que a exposição do cancro ao ar faz com que o tumor cresça mais depressa e se dissemine por diferentes partes do corpo, mas essa afirmação não tem qualquer fundamento científico.

O Instituto Norte-Americano do Cancro garante que as hipóteses de o cancro se propagar devido à cirurgia são extremamente baixas: “Exposição ao ar não faz os tumores crescer mais depressa ou causa a propagação do cancro a outras partes do corpo”

A justificação que pode ter levado a este mito está relacionada com o facto de, regularmente, os médicos encontrarem mais ramificações do tumor durante a cirurgia do que aquelas que tinham sido identificadas nos exames realizados. “Isto pode acontecer, mas não é por causa da cirurgia – o cancro já lá estava e simplesmente não apareceu nos exames que foram feitos. O cancro não se espalha por ter sido exposto ao ar”, afirma também a Associação Americana do Cancro.

É também comum o paciente sentir-se pior depois da cirurgia, mas isso não significa que houve uma extensão do tumor por ter estado em exposição ao ar. A Sociedade Americana do Cancro afirma que “é normal sentir-se dessa forma quando está a recuperar de qualquer cirurgia”.

Já no caso das biópsias a situação é um pouco mais complexa. No passado, eram usadas agulhas grandes para retirar um pouco de tumor e realizar a análise microscópica no laboratório, o que podia aumentar a possibilidade do cancro de espalhar pelo corpo. Mas, atualmente, é utilizada uma agulha muito mais pequena que remove uma pequena parte do tecido celular do tumor. “Com uma agulha mais pequena, as hipóteses de a biópsia levar o cancro a espalhar-se ou a ‘semear-se’ são muito baixas”, afirma a Sociedade Americana do Cancro.

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Os riscos de espalhar cancro durante a biópsia ou a cirurgia são, atualmente, muito raros devido aos “avanços de equipamento e testes de imagiologia”, defende a Sociedade Americana do Cancro.

Também é possível realizar biópsias sem usar agulhas, retirando uma parte ou a totalidade do tumor, ou realizar biópsias por incisão. Cada um destes processos pode ser mais indicado para um determinado tipo de cancro em função de outro, pelo que o médico irá aconselhá-lo da melhor forma. Quando a biópsia não é uma solução, os profissionais de saúde podem mesmo optar por avançar para a remoção do tumor, caso seja provável tratar-se de cancro.

Os riscos de espalhar cancro durante a biópsia ou a cirurgia são, atualmente, muito raros devido aos “avanços de equipamento e testes de imagiologia”, defende a Sociedade Americana do Cancro.

Quando o tumor se espalha para outros órgãos estamos perante uma situação de cancro metastático ou de fase 4. Nestas situações, as células cancerígenas que se desenvolveram num determinado órgão soltam-se do tumor e circulam pelo corpo, alojando-se noutros órgãos. O tumor que se desenvolve neste novo sítio é igual ao tumor de onde partiram as células – ou seja, um cancro da mama que se estende aos pulmões não é cancro dos pulmões, mas sim cancro da mama de fase 4.

É importante também ressalvar que a cirurgia é um procedimento que tem sempre riscos associados. “Todos os tipos de procedimentos médicos têm riscos. Diferentes procedimentos têm diferentes tipos de riscos e de efeitos secundários”, afirma a Sociedade Americana do Cancro, lembrando que é importante rever com o médico quais as opções que tem.

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Em suma, o cancro de metástases não tem qualquer relação com o contacto com o ar ou com a realização de uma biópsia ou uma cirurgia. É algo que faz parte das características do tumor.

 

 

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8 Nov 2021 - 03:00

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